terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vale a pena conferir

Curso de Especialização em Família é oferecido no Brasil

Idealizado pelo Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, seção brasileira, o "Curso de Especialização em Família - Relações Familiares e Contexto Social" abre inscrições para o processo seletivo de candidatos. O início das aulas está previsto para 6 de março próximo. Acesse e conheça mais sobre o curso.
Tudo pela Família
A Especialização Lato Sensu é referência em estudos sobre a família no Brasil, oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica de Salvador (UCSal), coordenado pelo bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom João Carlos Petrini - doutor em Ciências Políticas pela PUC/SP. A coordenação acadêmica está sob a responsabilidade da mestre em Família, professora Ariane Vieira Leite.
De acordo com a coordenação geral, a proposta do curso consiste em identificar e discutir as interfaces entre as diversas áreas das ciências humanas ligadas ao estudo da família, entendida em seu aspecto biopsicosocial e em repercussões para as políticas públicas. O objetivo é capacitar o profissional para uma atuação ética voltada para a promoção da família.
O curso é destinado aos graduados em cursos das Ciências Humanas, Sociais e de Saúde, cujo interesse seja a articulação sistemática e multidisciplinar acerca do objeto família ou que desejem se familiarizar com métodos, semântica e sintaxes adequadas ao tratamento do objeto-família.
Metolodogia e conteúdos
O Curso conta com corpo docente especializado, composto por mestres e doutores de renomadas universidades brasileiras e internacionais. A formação terá duração de 18 meses, com aulas quinzenais às sextas-feiras à noite e aos sábados pela manhã, no total de 11h/aula por final de semana. As disciplinas obrigatórias e a Orientação de Trabalho Final do Curso resultam em carga horária de 407h.
Disciplinas oferecidas
Família e sociedade, Família e desenvolvimento humano, Família no direito contemporâneo, Família e subjetividades, Conjugalidade contemporânea, Família, saúde e relações intergeracionais, Família: lugar da socialização e educação, Juventudes e vulnerabilidades , Políticas públicas e família, Teologia do matrimônio e da família, Mediação de conflitos familiares, Família, vida e biotecnologias, Antropologia da família, Metodologia de pesquisa, Tópicos Especiais em Família.
Outras informações com o Instituto da Família: (71) 3245-3008 / 3245-3078
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                                                  Fonte: cnpf.org.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Papa à Rota:

A Igreja conhece o sofrimento das famílias


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco aproveitou a inauguração do Ano judiciário da Rota Romana para oferecer uma reflexão sobre o contexto humano e cultural no qual hoje são realizados tantos matrimônios.
A crise de valores na sociedade não é certamente um fenômeno recente, reconhece Francisco, já o Beato Paulo VI, estigmatizava as doenças do homem moderno “tornado vulnerável por um relativismo sistemático… assim que exteriormente tenta impugnar a “majestade da lei”, e interiormente substitui o império da consciência moral pelo capricho da consciência psicológica”.
De fato, continua Francisco, o abandono de uma perspectiva de fé floresce inevitavelmente em um falso conhecimento do matrimônio, que não deixar de ter consequências no amadurecimento da vontade nupcial. E a Igreja conhece o sofrimento de muitos núcleos familiares que se desintegram, deixando atrás de si as ruínas de relações afetivas, de projetos, de expectativas comuns.
Francisco com membros do Tribunal Pontifício
O juiz é chamado a fazer a sua análise judicial quando há dúvida sobre a validade do matrimônio, para constatar se há um vício na origem do consenso, seja diretamente pelo defeito de válida intenção, seja por grave deficiência na compreensão do matrimônio mesmo que determine a vontade.
A crise do matrimônio, de fato, não raramente tem a sua raiz na crise de conhecimento da fé, isto é, da adesão a Deus e ao seu projeto de amor realizado em Jesus Cristo.
A experiência pastoral nos ensina que hoje há um grande número de fiéis em situação irregular, e que sua história sofreu um forte influxo da difusa mentalidade mundana que leva a perseguir, ao invés da glória do Senhor, o bem-estar pessoal.
Um dos frutos de tal comportamento é “uma fé fechada no subjetivismo, onde interessa unicamente uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que se acredita podem confortar e iluminar, mas onde o sujeito em definitiva permanece fechado na imanência da sua própria razão ou de seus sentimentos”.
Por isso afirma o Papa, “o juiz, ao ponderar a validade do consenso expresso, deve levar em conta o contexto de valores e de fé – ou da sua carência ou ausência – na qual a intenção matrimonial se formou. De fato, o não conhecimento dos conteúdos da fé poderia levar ao que o Código chama erro determinante da vontade. Esta eventualidade não deve ser vista mais como algo essencial como no passado. Tal erro não ameaça somente a estabilidade do matrimônio, a sua exclusividade e fecundidade, mas leva os nubentes “à reserva mental sobre a mesma permanência da união, ou a sua exclusividade, que viria a faltar se a pessoa amada não realizasse mais as próprias expectativas de bem-estar afetivo”.
Gostaria, portanto, de exortar os senhores a um maior e apaixonado compromisso no seu ministério, na tutela da unidade da jurisprudência na Igreja. Quanto trabalho pastoral pelo bem de tantos casais, e de tantos filhos, muitas vezes vítimas desses eventos! Também aí, há necessidade de uma conversão pastoral das estruturas eclesiásticas, para oferecer o “opus iustitiae” àqueles que se dirigem à Igreja para esclarecer a sua situação conjugal.
Eis a sua difícil missão, como de todos os juízes nas dioceses: não fechar a salvação das pessoas dentro de amarras do "jurisdicismo". A função do direito é orientada à “salus animarum” com a condição de que, evitando sofismas distantes da carne viva das pessoas em dificuldade, ajudem a estabelecer a verdade no momento do consenso: se isso foi fiel a Cristo ou à mentirosa mentalidade mundana.
Enfim, para favorecer um real acesso de todos os fiéis à justiça da Igreja, o Papa indica a necessária presença junto a todo Tribunal eclesiástico de pessoas competentes que prestem solícitos conselhos sobre a possibilidade de introduzir uma causa de nulidade matrimonial segundo os padrões estabelecidos, retribuídos pelos mesmos tribunais, que exercem a função de advogados. E conclui o seu discurso com um dado positivo: um relevante número de causas junto à Rota Romana é de gratuito patrocínio em favor de partes que, por causa das suas difíceis condições econômicas, não podem pagar um advogado. (SP)
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                                                                                          Fonte: radiovaticana.va

Papa indica a família como

"escola" de comunicação


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco dedicou a mensagem do 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais ao tema da família, que se encontra no centro de uma profunda reflexão eclesial e de um processo sinodal. “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor” é o tema da mensagem, que foi publicada esta sexta-feira (23/01), vigília da festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos comunicadores.
No texto, Francisco recorda que a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. E o ventre materno é a primeira “escola” de comunicação, feita de escuta e contato corporal. Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num “ventre”, que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é o espaço onde se aprende a conviver na diferença: diferenças de gêneros e de gerações. É nela que aprendemos ainda outra forma fundamental de comunicação, que é a oração.
Família perfeita
A família é, sobretudo, a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e, todavia, são tão importantes uma para a outra…”, acrescenta Francisco, ressaltando ainda que é entre os nossos familiares que se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência.
A família deve ser uma escola de perdão
Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão.” A propósito de limitações e comunicação, para o Papa, as famílias com filhos com deficiências têm muito a ensinar, pois recebem um estímulo para se abrir, compartilhar e comunicar de modo inclusivo.
Em um mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, Francisco aponta a família como uma escola de comunicação feita de bênção. “Abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal”, escreve ele.
Novas tecnologias
O Pontífice adverte ainda para as novas tecnologias que podem se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar, de saturar todo o momento de silêncio. Também neste campo, escreve o Papa, os primeiros educadores são os pais. “Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.”
Francisco então conclui: “A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro”.
Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado todos os anos na solenidade da Ascensão do Senhor, que este ano é no dia 17 de maio. (BF)
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Íntegra da Mensagem do Papa para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais
Tema:
Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor

O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei  oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.
Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”» (vv. 41-42).
Na família, vive-se a alegria genuína
Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira «escola» de comunicação, feita de escuta e contacto corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.
Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num «ventre», que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é «o espaço onde se aprende a conviver na diferença» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na «língua materna», ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.
A experiência do vínculo que nos «precede» faz com que a família seja também o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos recém-nascidos, a mãe e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, põem-se a recitar juntamente com eles orações simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os avós, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.
Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade. Reduzir as distâncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, é motivo de gratidão e alegria: da saudação de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a bênção de Isabel, seguindo-se-lhe o belíssimo cântico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso desígnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um «sim» pronunciado com fé, derivam consequências que se estendem muito para além de nós mesmos e se expandem no mundo. «Visitar» supõe abrir as portas, não encerrar-se no próprio apartamento, sair, ir ter com o outro. A própria família é viva, se respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias.
Mais do que em qualquer outro lugar, é na família que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo. Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão. O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer. Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.
Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.
Além disso, num mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, a família pode ser uma escola de comunicação feita de bênção. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevitáveis o ódio e a violência, quando as famílias estão separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetráveis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas razões para dizer «agora basta»; na realidade, abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade.
Na família, constrói-se o futuro de paz
Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar apesar da presença física, de saturar todo o momento de silêncio e de espera, ignorando que «o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo» (BENTO XVI, Mensagem do XLVI Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24/1/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contacto com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este «início vivo», saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.
Assim o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.
No fim de contas, a própria família não é um objeto acerca do qual se comunicam opiniões nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, é possível recuperar um olhar capaz de reconhecer que a família continua a ser um grande recurso, e não apenas um problema ou uma instituição em crise. Às vezes os meios de comunicação social tendem a apresentar a família como se fosse um modelo abstracto que se há-de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se há-de viver; ou como se fosse uma ideologia de alguém contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contrário, narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível.
A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.
Vaticano, 23 de Janeiro – Vigília da Festa de São Francisco de Sales – de 2015.
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                                                  Fonte: radiovaticana.va

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Curso de Especialização em Família é oferecido no Brasil

Idealizado pelo Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, seção brasileira, o "Curso de Especialização em Família - Relações Familiares e Contexto Social" abre inscrições para o processo seletivo de candidatos. O início das aulas está previsto para 6 de março próximo. Acesse e conheça mais sobre o curso.
Tudo pela Família
A Especialização Lato Sensu é referência em estudos sobre a família no Brasil, oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica de Salvador (UCSal), coordenado pelo bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom João Carlos Petrini - doutor em Ciências Políticas pela PUC/SP. A coordenação acadêmica está sob a responsabilidade da mestre em Família, professora Ariane Vieira Leite.
De acordo com a coordenação geral, a proposta do curso consiste em identificar e discutir as interfaces entre as diversas áreas das ciências humanas ligadas ao estudo da família, entendida em seu aspecto biopsicosocial e em repercussões para as políticas públicas. O objetivo é capacitar o profissional para uma atuação ética voltada para a promoção da família.
O curso é destinado aos graduados em cursos das Ciências Humanas, Sociais e de Saúde, cujo interesse seja a articulação sistemática e multidisciplinar acerca do objeto família ou que desejem se familiarizar com métodos, semântica e sintaxes adequadas ao tratamento do objeto-família.
Metolodogia e conteúdos
O Curso conta com corpo docente especializado, composto por mestres e doutores de renomadas universidades brasileiras e internacionais. A formação terá duração de 18 meses, com aulas quinzenais às sextas-feiras à noite e aos sábados pela manhã, no total de 11h/aula por final de semana. As disciplinas obrigatórias e a Orientação de Trabalho Final do Curso resultam em carga horária de 407h.
Disciplinas oferecidas
Família e sociedade, Família e desenvolvimento humano, Família no direito contemporâneo, Família e subjetividades, Conjugalidade contemporânea, Família, saúde e relações intergeracionais, Família: lugar da socialização e educação, Juventudes e vulnerabilidades , Políticas públicas e família, Teologia do matrimônio e da família, Mediação de conflitos familiares, Família, vida e biotecnologias, Antropologia da família, Metodologia de pesquisa, Tópicos Especiais em Família.
Outras informações com o Instituto da Família: (71) 3245-3008 / 3245-3078

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                                                                                                                  cnpf.org.br

domingo, 28 de dezembro de 2014


Reflexão

Cidade do Vaticano (RV) - O perdão dos pecados acontece por causa de uma atitude de amor para com os pais, pois o lar, Igreja doméstica, voltou a ser o local do encontro com Deus.
A misericórdia em todos os relacionamentos, mas especialmente para com os pais, está em referência ao próprio Deus que é o Pai por excelência. Portanto, honrar os pais, respeitá-los, é prestar culto a Deus.
Tanto a primeira leitura quanto a segunda, da liturgia de hoje, não escondem as falhas no relacionamento familiar e humano, mas nos dizem que o importante aos olhos de Deus não está em ser sem defeitos, em ter uma família perfeita, mas sim na capacidade de amar sem medidas, apesar dos limites e das falhas pessoais. Claro que Deus deseja que sejamos perfeitos, mas mais importante para Ele é que nos amemos e nos perdoemos como Ele nos amou e nos perdoou, sem limites, sem restrições.
Jesus. Maria e José abençoai nossas famílias!
Dentro desse pensamento sobre o relacionamento familiar, será importante refletir sobre a realidade da família deste início de século, onde e como vive. Certamente a maioria mora em grandes centros urbanos e é constituída pelo casal e por um ou dois filhos. Um terceiro já faz considerá-la família numerosa.
Também a mãe trabalha fora e pais e filhos se encontram à noite, cansados, muitas vezes diante da televisão, ou durante o jantar. Se isso acontece já poderão se classificar felizes, pois em outros lares, muitas vezes quando pais saem para o trabalho, os filhos ainda dormem e quando voltam eles já estão deitados. O encontro, nesse caso, só se dá no final de semana.
Rezar juntos, passar para os filhos a vivência de uma oração em família, mesmo que seja apenas à mesa, só excepcionalmente, pois em muitos casos, para que possam descansar, não cozinham em casa e vão comer fora, em um restaurante ou na casa de parentes ou de amigos.
É difícil passar valores, enfim, formar os filhos. A sociedade pós moderna penetra em suas entranhas e é muito custoso prepará-los para o futuro, para que sejam filhos e irmãos como Deus quer. Só com a graça divina e com a disposição dos pais para uma autêntica renúncia e sacrifico.
Renúncia aos apelos de dar aos filhos tudo o que a sociedade consumista coloca como valores e que os pais enxergam como coisa boa e vantajosa. É preciso renunciar fazer do filho ou da filha pessoas como nos pede o elitismo, relativizar seus códigos. É preciso questionar os valores propostos por ela e crer nos do Evangelho.
Cabe a pergunta: formo minha família para ser cidadã deste mundo ou para ser cidadã do Reino de Deus, mas neste mundo? Jesus rezou ao Pai dizendo que não queria que nos tirasse do mundo, mas nos preservasse do mal.
Sacrifício: sacrificar significa tornar sagrado. Meu filho, minha filha, são do mundo ou de Deus? O batismo os retirou do paganismo e os fez filhos de Deus, sagrados. Respeito a senhoria de Deus sobre eles ou sou conivente com as solicitações consumistas e mundanas?
A imagem da Família de Nazaré como família migrante e pobre nos obriga a refazer a imagem da família atual, retornando às origens e aos valores, ou seja, a abundância de bens materiais não é necessária para ser feliz e amar a Deus e ao próximo.
É importantíssimo não só a simplicidade de vida, mas sobretudo é fundamental a convivência afetiva e efetiva, além do respeito aos idosos como gratidão e como referência à sua experiência de vida que porta sabedoria e os referenciais da autêntica tradição.
A Família de Nazaré nos ensina a cristianizar a família pós moderna, recolocando Deus no centro e n’Ele reencontrando a verdadeira felicidade. (CAS)
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Angelus: 
Oferecer calor humano às famílias em dificuldade

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco dedicou a alocução que antecede a oração mariana do Angelus à Sagrada Família de Nazaré, que a liturgia celebra este domingo (28/12).
O Evangelho nos apresenta Nossa Senhora e São José no momento em que vão ao templo de Jerusalém quarenta dias depois do nascimento de Jesus, como estabelece a Lei de Moisés.
Encontro de gerações
Jovens e idosos devem caminhar unidos
Em meio a tanta gente, esta pequena família não passa desapercebida. Dois idosos, Simeão e Ana, reconhecem no Menino Jesus o salvador de Israel. “É um momento simples, mas rico de profecia”, disse o Papa. Um jovem casal e dois idosos que se encontram graças a Jesus. “Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo toda desconfiança, todo isolamento e toda distância.”
Para Francisco, esta cena no templo de Jerusalém remete aos avós e destaca a sua importância nas famílias e na sociedade. “O bom relacionamento entre os jovens e os idosos é decisivo para o caminho da comunidade civil e eclesial”, afirmou o Papa, pedindo uma salva de palmas à multidão para saudar todos os avós do mundo.
Calor humano
A Família de Nazaré, prosseguiu, é realmente santa porque é centralizada em Cristo. Quando os pais e os filhos respiram juntos este clima de fé, possuem uma energia que lhes permite enfrentar as provas mais difíceis. Por isso, o Menino Jesus, Maria e José são um ícone familiar simples, mas luminoso, que encoraja a oferecer calor humano às situações familiares em que, por vários motivos, faltam paz, harmonia e perdão.
Neste momento, o Pontífice pediu a todos na Praça que rezassem uma Ave-Maria por todas as famílias em dificuldade devido a doenças, desemprego, discriminação e obrigadas a emigrar ou devido a incompreensões e desunião entre seus membros.
E concluiu: “Confiemos a Maria, Rainha da família, mãe, todas as famílias do mundo, para que possam viver na fé, na concórdia e na ajuda recíproca. Invoco sobre elas a materna proteção Daquela que foi mãe e filha do seu Filho”. (BF)
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                                                                                                             Fonte: radiovaticana       news.va

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


Papa no discurso aos funcionários do Vaticano nesta segunda:

"Peço perdão pelas minhas faltas e de meus colaboradores" 

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta segunda-feira (22/12), na Sala Paulo VI, os funcionários do Vaticano para as felicitações de Natal. É a primeira vez que um Pontífice realiza este gesto. Bergoglio escolheu a palavra “cuidar” para caracterizar o encontro, e comparou a Cúria a um Corpo, onde “os membros que parecem os mais fracos são os mais necessários”.
Cuidem da vida espiritual
O Papa começou agradecendo aos funcionários - a maior parte formada por italianos, mas também aos  provenientes de outros países “que generosamente trabalham na Cúria, longe de sua pátria e de suas famílias, representando para a Cúria a face da catolicidade da Igreja” – para então convidar a um “frutuoso exame de consciência em preparação ao Santo Natal”, exortando todos a aproximarem-se “do Sacramento da Confissão com um espírito dócil, para receber a misericórdia do Senhor que bate à porta do nosso coração”.
Francisco nunca esquece dos mais simples e humildes e também neste seu segundo Natal passado em Roma quis “encontrar as pessoas que trabalham sem se mostrar e que são definidas ironicamente como “os ignorados, os invisíveis”, ou seja, “os jardineiros, os funcionários da limpeza, os ascensoristas, os porteiros, entre tantos outros”. “Graças aos vosso empenho cotidiano, a Cúria se expressa como um corpo vivo e em caminho, um verdadeiro mosaico rico de fragmentos diversos, necessários e complementares”.
Alimentem-se dos sacramentos
Citando São Paulo quando fala do Corpo de Cristo, Francisco disse que os “membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários. Pensemos aos olhos“, exemplificou, para então explicar do porque da escolha da palavra “cuidado, zelo”, para caracterizar o encontro. “Cuidar significa manifestar interesse diligente e premuroso, que compromete quer o nosso espírito que a nossa atividade, para com alguém ou alguma coisa”, e fez um paralelo com uma mãe que cuida do filho doente:
Me vem em mente a imagem de uma mãe que cuida de seu filho doente, com total dedicação, considerando como sua, a dor de seu filho. Ela não olha nunca o relógio, não se lamenta nunca de não ter dormido toda uma noite, não deseja senão que vê-lo curado, custe o que custar”.
O Papa passou então à diversas exortações, começando pelo Natal, para que seja transformado em uma ocasião para “curar” toda ferida e todas as faltas:
Vos exorto a cuidar de vossa vida espiritual, da vossa relação com Deus, porque esta é a coluna vertebral de tudo aquilo que fazemos e de tudo o que somos. Um cristão que não se alimenta com a oração, os  Sacramentos, a Palavra de Deus, inevitavelmente perde o vigor e seca”.
Pensem antes de falar
No mesmo sentido, Francisco exortou ao cuidado com as famílias, “dando aos vossos filhos e aos vossos caros não somente dinheiro, mas sobretudo tempo, atenção e amor”; cuidado na relação com os outros, com obra boas, “especialmente em relação aos mais necessitados”; no modo de falar, “purificando a língua das palavras ofensivas, das vulgaridades e da linguagem da decadência mundana”; nas feridas do coração, “com o óleo do perdão”; no trabalho, feito “com entusiasmo, humildade, competência, paixão e espírito de gratidão so Senhor”; assim como no cuidado com a “inveja, com a concupiscência, o ódio, os sentimentos negativos que destroem a nossa paz interior e nos transformam em pessoas destruídas e destrutivas”.
Francisco alertou também para o rancor, “que leva à vingança, ou para a preguiça, que leva à eutanásia existencial”; para o “apontar o dedo” que leva à soberba e do “lamentar-se continuamente”, o que leva ao desespero:
Eu sei que algumas vezes, para garantir o lugar do trabalho, se fala dos outros, para defender-se. Eu entendo estas situações, mas o caminho não acaba bem. No final, seremos todos destruídos entre nós, e isto não, não serve. Antes, devemos pedir ao Senhor a sabedoria de saber morder a língua a tempo, para não dizer palavras injuriosas, que depois te deixam a boca amarga”.
O Papa exortou assim, a cuidarmos “dos mais fracos, dos anciãos, dos doentes, dos famintos, dos sem-teto e dos estrangeiros”. “Por isto seremos julgados”, avaliou.
E em relação ao Santo Natal, o Papa pediu que “não seja nunca uma festa de consumismo comercial, de aparência ou de presentes inúteis, ou mesmo de desperdícios supérfluos, que seja a festa da alegria de acolher o Senhor no presépio e no coração”.
Mas, o que se devemos cuidar mais? “Sobretudo a família”, indicou o Papa:
Reservem tempo para seus  filhos
A família é um tesouro, os filhos são um tesouro. Uma pergunta  que talvez os pais mais jovens poderiam se fazer: ‘Eu tenho tempo para brincar com os meus filhos, ou sempre estou ocupado, ocupada, e não tenho tempo para os filhos?’. Vos deixo esta pergunta. Brincar com os filhos, é tão bonito. Isto é semear o futuro”.
Imaginemos como mudaria o nosso mundo se cada um de nós iniciasse logo, aqui, a cuidar-se seriamente e a cuidar generosamente da própria relação com Deus e com o próximo - disse o Papa - se colocássemos em prática a regra de ouro do Evangelho, proposta por Jesus no Sermão da Montanha: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também vós a eles: esta, de fato, é a Lei e os Profetas”.
O Papa explicou então o que é o verdadeiro Natal:
Um último pedido: perdoem-me!
A festa da pobreza de Cristo que aniquilou-se a si mesmo assumindo a natureza de escravo; de Deus que serve à mesa; de Deus que se esconde aos inteligentes e aos sábios e que se revela aos pequenos, aos simples e aos pobres; do Filho que não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida como preço de resgate para muitos”.
Ao final, o Papa saúda os presentes, com um pedido de perdão:
Não quero acabar estas palavras de felicitações sem vos pedir perdão pelas faltas, minhas e de meus colaboradores, e também por alguns escândalos, que fazem tão mal. Perdoem-me”. (JE)
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                                                                                                              Fonte: radiovaticana       news.va