quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Francisco:
Família não é problema, mas "a melhor herança ao mundo"

O último compromisso desta terça-feira (22/9) em Cuba antes de partir para os Estados Unidos começou quase uma hora antes do previsto. Papa Francisco foi recebido com muito carinho pelas famílias presentes na Catedral Nossa Senhora de Assunção em Santiago de Cuba, sempre solícito e muito simpático, até parou para fotos e abraços.
Santiago de Cuba é a segunda cidade mais importante do país, com cerca de 500 mil habitantes, e a terceira a ser visitada pelo Papa nesta viagem pastoral que começou no último sábado (19/9) por Havana e terminará no final de semana pela Filadélfia.
Família: precioso presente de Deus
A Catedral que recebeu o Papa tem quase 500 anos de fundação. A presença evangelizadora da Igreja naquela cidade foi lembrada pelo arcebispo local, Dom Dionísio García Ibánez. Este é o encontro das famílias cubanas com o seu pastor, disse ele, acrescentando que são famílias oriundas de todas as províncias do país e também do exterior. “A família cubana é alegre e lutadora e quer permanecer unida. É a instituição mais valorizada pelos cubanos, mas temos uma forte queda na taxa da natalidade”, comentou Dom García, que também pediu uma bênção especial às “nossas famílias que querem ser fortalecidas”.
Uma família com pai, mãe e três filhas deu o seu testemunho na ocasião, falando sobre o trabalho honesto para sustentar o lar. A mãe, que segurava a filha menor nos braços, também pediu uma bênção para viver o lar como “igrejas domésticas”, como instrumentos de paz e misericórdia. Em seguida, Papa Francisco fez questão de saudar todos os membros da família e de dar os parabéns ao patriarca que, hoje, completava 36 anos de idade.
Festa
Durante o seu discurso no Encontro com as Famílias, Papa Francisco aproveitou para agradecer aos cubanos por terem feito o Pontífice se sentir em casa. O encontro na Catedral de Santiago foi descrito pelo Santo Padre como “a cereja sobre o bolo”. E citou o Evangelho de João que apresenta as bodas de Caná, “uma festa em família”.
"As bodas são momentos especiais na vida de muitos. Para os ‘mais veteranos’, pais, avós, é uma ocasião para recolher o fruto da semeadura. Dá alegria à alma ver os filhos crescerem, conseguindo formar o seu lar. É a oportunidade de verificar, por um instante, que valeu a pena tudo aquilo por que se lutou. Acompanhar os filhos, apoiá-los, incentivá-los para que possam se decidir a construir a vida, a formar a sua família, é um grande desafio para todos os pais. Os recém-casados, por sua vez, encontram-se na alegria. Todo um futuro que começa; tudo tem ‘sabor’, as coisas novas, a esperança. Nas bodas, sempre se une o passado que herdamos e o futuro que nos espera: a memória e a esperança."
Herança
Papa diz que Jesus começa a sua vida pública numa boda. “Jesus começa a sua vida no interior de uma família, no seio de um lar. E é no seio dos nossos lares que Ele incessantemente continua a se inserir, e deles continua a fazer parte”.
"Jesus escolhe esses momentos para nos mostrar o amor de Deus, Jesus escolhe estes espaços para entrar nas nossas casas e ajudar-nos a descobrir o Espírito vivo e atuante nas nossas realidades quotidianas. É em casa onde aprendemos a fraternidade, a solidariedade, o não ser prepotentes. É em casa onde aprendemos a receber e agradecer a vida como uma bênção, e aprendemos que cada um precisa dos outros para seguir em frente. É em casa onde experimentamos o perdão, e somos continuamente convidados a perdoar, a deixarmo-nos transformar. Em casa, não há lugar para ‘máscaras’: somos aquilo que somos e, de uma forma ou de outra, somos convidados a procurar o melhor para os outros."
Valor local
Por isso, disse Francisco, “a comunidade cristã designa as famílias pelo nome de igrejas domésticas, porque é no calor do lar onde a fé permeia cada canto, ilumina cada espaço, constrói comunidade; porque foi em momentos assim que as pessoas começaram a descobrir o amor concreto e operante de Deus”.
"Em muitas culturas, hoje em dia, vão desaparecendo esses espaços, vão desaparecendo esses momentos familiares; pouco a pouco, tudo leva a se separar, a se isolar; escasseiam os momentos em comum, para estar juntos, para estar em família. Assim não se sabe esperar, não se sabe pedir licença ou desculpa, nem dizer obrigado, porque a casa vai ficando vazia, não de pessoas, mas vazia de relações, vazia de contatos, vazia de encontros, de pais, avós, irmãos."
“Sem família, sem o calor do lar, a vida torna-se vazia; começam a faltar as redes que nos sustentam na adversidade, alimentam na vida quotidiana e motivam na luta pela prosperidade”, disse o Papa Francisco.
Desafios
"A família nos salva de dois fenômenos atuais que acontecem hoje em dia: a fragmentação (a divisão) e a massificação. Em ambos os casos as pessoas se transformam em indivíduos isolados, fáceis de manipular e controlar. Então encontramos no mundo sociedades divididas, quebradas, separadas ou altamente massificadas. São consequência da ruptura dos laços familiares, quando se perdem as relações que nos constituem como pessoa, que nos ensinam a ser pessoa. Um se esquece como se diz papai, mamãe, avô ou avó; vão se esquecendo de relações que são o fundamento."
“A família é escola da humanidade”, definiu o Papa Francisco, que “ensina a pôr o coração aberto às necessidades dos outros, a estar atento à vida dos demais”. O Santo Padre comentou que viver bem em família é deixar de lado a vida centrada no ‘Eu, me, mim, comigo’, os pequenos egoísmos que não são nem solidariedade, nem trabalho comum.
Esperança
"Apesar de tantas dificuldades que afligem hoje as nossas famílias, não nos esqueçamos, por favor: as famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar. É uma maneira de dizer que é uma benção. Quando a família será um problema, é porque estará muito centrada no eu. Discute-se muito sobre o futuro, sobre o tipo de mundo que queremos deixar aos nossos filhos, que sociedade queremos para eles. Creio que uma das respostas possíveis se encontra olhando em vocês: deixemos um mundo com famílias. É a melhor herança."
Foi quando o Papa Francisco abençoou todas as mulheres grávidas presentes e também as que acompanhavam o Encontro através dos meios de comunicação. Pediu que “as grávidas de esperança” tocassem a barriga para receber a benção no desejo de os filhos venham com saúde e cresçam bem. E o Papa, então, fez menção à Eucaristia:
“É a ceia da família de Jesus, que, de um extremo ao outro da terra, se reúne para escutar a sua Palavra e se alimentar com o seu Corpo. Jesus é o Pão de Vida das nossas famílias, quer estar sempre presente, alimentando-nos com o seu amor, sustentando-nos com a sua fé, ajudando-nos a caminhar com a sua esperança, para que possamos, em todas as circunstâncias, experimentar que Ele é o verdadeiro Pão do Céu”.
Ao final do seu discurso, pedindo uma oração especial, o Santo Padre lembrou que estará participando do Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia e, dentro de um mês, do Sínodo dos Bispos, cujo tema é a família.
Em frente à Catedral de Santiago e se direcionando a todo o povo cubano, em sua despedida do país, Papa Francisco fez uma saudação especial aos avós e aos jovens. O Pontífice enalteceu que “um povo que cuida dos avós e dos jovens tem o futuro garantido”. No seu último trajeto pelas ruas de Cuba, uma multidão acompanhou o Papa em agradecimento ao carinho do Santo Padre transmitido durante quatro dias de visita pastoral ao país caribenho. (AC)
Assista:
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                                                                    Fonte: radiovaticana.va      news.va

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Papa Francisco:
A família nos salva da colonização do dinheiro

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 30 mil fiéis e peregrinos participaram da Audiência Geral na Praça São Pedro com o Papa Francisco.
Esta quarta-feira (16/09), sob céu encoberto, o Pontífice concluiu seu ciclo de reflexões sobre a família, recordando que a Igreja está prestes a viver dois importantes eventos: o Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, e o Sínodo dos Bispos, em Roma.
Família de refugiados sírios chega à Grécia 
Para Francisco, diante de uma sociedade administrada pela tecnocracia econômica, é necessária uma nova aliança do homem e da mulher para emancipar os povos da “colonização do dinheiro”. Esta aliança, defendeu o Papa, deve voltar a orientar a política, a economia e a convivência civil.
Desta aliança, a comunidade conjugal-familiar do homem e da mulher é a gramática gerativa. Deus confiou  à família não o cuidado de uma intimidade fim em si mesma, mas o projeto de tornar “doméstico” o mundo. “Propriamente a família está no início, na base desta cultura mundial que nos salva; nos salva de tantos ataques, destruições, colonizações, como a do dinheiro e a das ideologias que tanto ameaçam o mundo. A família é a base para defender-se”, disse o Papa.
Francisco salientou que tudo o que acontece entre o homem e a mulher deixa marcas na criação. Em concreto, o pecado original – a rejeição à bênção de Deus – adoeceu o mundo. Mas, recordou, Deus nunca abandonou o homem; no livro do Gênesis, a promessa feita à mulher parece garantir a cada nova geração uma bênção especial para defender-se do maligno. “Existem muitos clichês, às vezes ofensivos, sobre a mulher sedutora que inspira o mal. Ao invés, há espaço para um teologia da mulher que seja à altura desta bênção de Deus para ela e a para geração!”, defendeu.
Cristo, recordou o Papa, nasceu de uma mulher. “É a carícia de Deus sobre as nossas chagas, nosso erros e pecados. Mas Deus nos ama como somos e quer levar-nos avante com este projeto, e a mulher é a mais forte a leva-lo avante.”
Por fim, Francisco ressaltou que a promessa que Deus faz ao homem e à mulher inclui todos os seres humanos até o fim da história. “Se tivermos fé suficiente, as famílias dos povos da Terra se reconhecerão nesta bênção. Caminhando juntos, sem fazer proselitismo”, disse o Papa, pedindo a bênção de Deus às famílias de todos os ângulos da Terra. (BF)
Assista à integra da Audiência em português


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Francisco pede aos fiéis que rezem por sua próxima viagem

No próximo sábado (19/9), o Papa partirá para a sua 10ª viagem apostólica, tocando desta vez Cuba e Estados Unidos. Nesta quarta-feira, aos milhares de fiéis que lotaram a Praça São Pedro na última audiência geral antes da viagem, o Pontífice pediu que rezassem por ele.
Rezemos pelo Santo Padre e pelo êxito de sua viagem
“Uma missão à qual me dedicarei com grande esperança. O motivo principal desta viagem é o VIII Encontro Mundial das Famílias, a se realizar em Filadélfia. Irei também à sede central da ONU, no septuagésimo aniversário desta instituição. Desde já, comprimento com carinho os povos cubano e estadunidense que, conduzidos por seus Pastores, se prepararam espiritualmente. Peço a todos que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a intercessão de Maria Santíssima, a Padroeira de Cuba Nossa Senhora do Cobre, e Padroeira dos Estados Unidos, Imaculada Conceição
Confira toda a agenda papal
e a programação da RV na viagem do Papa na página da Rádio Vaticano.
Ainda no próximo sábado, em San Miniato (na região italiana da Toscana) será beatificado Pio Alberto del Corona, Bispo daquela diocese falecido aos 75 anos em 1912, fundador da Congregação das Irmãs Dominicanas do Espírito Santo. 
Francisco recordou o novo beato como um “zeloso guia e sábio mestre do povo a ele confiado. Que o seu exemplo e sua intercessão ajudem a Igreja a caminhar no espírito do Evangelho, gerando frutos de obras de bem”. (CM)
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Papa recorda a ministros preceitos contra mudanças climáticas
O Papa recebeu na manhã desta quarta-feira (16/9), um grupo de ministros do Meio Ambiente da União Europeia. Para contribuir com o debate, o Papa apresentou três aspectos fundamentais que desafiam os Países a tomarem atitudes concretas contra as mudanças ambientais.
Cuidemos da presente e das futuras gerações
Ao recordar que o ministério do meio ambiente assumiu, nos últimos anos, uma posição de destaque nos governos, Francisco afirmou que essa responsabilidade requer uma colaboração eficaz ao interno da Comunidade internacional.
Às vésperas da declaração das Nações Unidas sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável e da Conferência do Clima de Paris, o Pontífice reiterou que os que mais sofrem com as mudanças climáticas são os mais pobres.
Solidariedade
Francisco fez um chamado à genuína solidariedade que, neste caso, quer dizer colocar em prática instrumentos eficazes que unam a luta contra o degrado ambiental com aquela contra a pobreza.
“Existem numerosas experiências positivas em tal direção. Trata-se, por exemplo, de desenvolvimento e transferência de tecnologias apropriadas, capazes de utilizar da melhor maneira os recursos humanos, naturais, socioeconômicos, grande parte destes acessível em nível local, para garantir uma sustentabilidade também a longo prazo”, explicou o Papa.
Justiça
Soma-se a isso o princípio da justiça, já explanado pelo Pontífice na encíclica Laudato si. Aqui, Francisco destacou a questão do “débito ecológico” existente entre o Norte e o Sul, ligado a desiquilíbrios comerciais com consequências também em âmbito ecológico.
“Devemos honrar este débito. Os Países ricos são chamados a contribuir, a resolver este débito dando um bom exemplo, limitando em modo importante o consumo de energia, provendo recursos aos Países mais necessitados para que possam promover politicas e programas de desenvolvimento sustentável”, afirmou o Papa.
Participação
Ao terminar sua reflexão, Francisco apresentou o preceito da participação que requer o envolvimento de todas as partes em causa, principalmente “daquelas que frequentemente ficam à margem dos processos decisórios”.
“Trata-se, obviamente, de um grande desafio cultural, espiritual e educativo. Solidariedade, justiça e participação para o respeito da nossa dignidade e para o respeito da criação”, concluiu o Papa ao garantir que da sua parte e da Santa Sé não faltará apoio para responder de maneira adequada tanto ao grito da Terra quanto ao grito dos pobres. (RB)
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                                                                    Fonte: radiovaticana.va      news.va

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Papa exorta Equipes de Nossa Senhora

a levar a misericórdia às famílias feridas

Cidade do Vaticano (RV) –  Na manhã desta quinta-feira o Papa Francisco recebeu na Sala Clementina cerca de 400 participantes das Equipes de Nossa Senhora, presentes em Roma para seu encontro mundial. O Papa encorajou-os a colocar em prática a espiritualidade do movimento, fortificar o empenho missionário e serem instrumentos da misericórdia de Cristo em relação às pessoas que tiveram o matrimônio fracassado.
O Santo Padre sublinhou no início de seu pronunciamento que este encontro precede o Sínodo dos Bispos que vai refletir sobre os desafios das famílias, visto “as ameaças no atual contexto cultural difícil”. Neste sentido, Francisco insiste no “papel missionário das Equipes de Nossa Senhora, onde a vida conjugal se aprofunda e se aperfeiçoa graças à espiritualidade do movimento”. E os exorta “a testemunhar, anunciar e comunicar para fora, aquilo que vivem  como casais e famílias”. “Os casais e as famílias cristãs – observou o Papa - normalmente estão em melhores condições para anunciar Jesus Cristo às outras famílias, apoiando-as, fortificando-as e encorajando-as”.
Sejam instrumentos da misericórdia de Cristo e da Igreja
junto aos casais que não deram certo
Inicialmente, o Papa encorajou os casais a colocarem em prática e a viverem em profundidade a espiritualidade do movimento, destacando a importância dos “pontos concretos de compromisso” propostos, que “representam realmente uma ajuda eficaz aos casais para “progredirem com confiança na vida conjugal no caminho do Evangelho”:
“Penso em particular na oração dos casais e em família, bonita e necessária tradição que tem sempre sustentado a fé e a esperança dos cristãos, mas infelizmente abandonada em tantas regiões do mundo; penso também no tempo do diálogo mensal proposto entre os esposos – o famoso e empenhativo Dever de sentar-se - que vai contra a corrente em relação aos hábitos do mundo frenético e agitado, cheio de individualismos, e que é um momento de troca vivido na verdade sob o olhar do Senhor. É um tempo precioso de agradecimento, de perdão, de respeito recíproco e de atenção pelo outros”.
A presença na vivência em equipe do sacerdote acompanhante, leva a uma reciprocidade fecunda, ressaltou Francisco. “Agradeço às equipes de Nossa Senhora por serem um apoio e um encorajamento no ministério de vossos sacerdotes ,que encontram sempre, no contato com as vossas equipes e as vossas famílias, a alegria sacerdotal, a presença fraterna, o equilíbrio afetivo e a a paternidade espiritual”.
Em segundo lugar, o Santo Padre convidou os casais, fortificados pelo encontro em equipe, a um empenho missionário. O Papa chama a atenção da missão a eles confiada, “que é tão mais importante enquanto imagem da família - como Deus quer, formada por um homem e uma mulher em vista do bem dos cônjuges e também da geração e educação do filhos - e que é deformada mediante poderosos projetos contrários apoiados, por colonizações ideológicas”.
Mesmo reconhecendo que os membros das Equipes de Nossa Senhora já são missionários “pela irradiação da própria vida” – pois uma família habitada pela presença de Deus fala por si só do amor de Deus por todos os homens -  o Papa convidou para que também se empenhem em “acolher, formar e acompanhar na fé, particularmente os jovens casais, antes e após o matrimônio”:
 “Vos exorto também a continuarem a fazerem-se próximos às famílias feridas, que são hoje tão numerosas, pelo motivo da falta de trabalho, da pobreza, de um problema de saúde, de um luto, da preocupação causada por uma criança, do desequilíbrio provocado por um afastamento ou uma ausência, pelo clima de violência. Devemos ter a coragem de entrar em contato com estas famílias, de maneira discreta mas generosa, materialmente, humanamente ou espiritualmente, naquelas circunstâncias onde elas se encontram vulneráveis”.
O Papa, por fim, encoraja os casais das Equipes de Nossa Senhora “a serem instrumentos da misericórdia de Cristo e da Igreja em relação às pessoas cujo matrimônio fracassou”:
“Não esqueçam nunca de que a vossa fidelidade conjugal é um dom de Deus, e que para cada um de vocês foi usada de misericórdia. Um casal unido e feliz pode compreender melhor do que qualquer outro a ferida e o sofrimento que provocam um abandono, uma traição, um fracasso do amor. É necessário, portanto, que vocês possam levar o vosso testemunho e a vossa experiência para ajudar as comunidades cristãs a discernir as situações concretas destas pessoas, em acolhê-las com as suas feridas e em ajudá-las a caminhar na fé e na verdade, sob o olhar de Cristo Bom Pastor, para que tomem parte em um modo apropriado na vida da Igreja. Não esqueçam tampouco o sofrimento das crianças que vivem estas dolorosas situações familiares: a eles vocês podem dar muito”.
O Pontífice concluiu renovando a sua confiança e encorajamento às Equipes de Nossa Senhora, afirmando que desde o momento em que a causa de beatificação do fundador, Padre Enrico Caffarel chegou a Roma, “rezo para que o espírito santo ilumine a Igreja no juízo que a seu tempo deverá pronunciar a seu respeito”. (JE)
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                                                                                      Fonte: radiovaticana.va

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Papa Francisco na Audiência desta quarta-feira:

As Igrejas e as instituições com as portas fechadas não devem se chamar igrejas, mas museus!
Cidade do Vaticano (RV) – A relação da família com a comunidade cristã foi o tema da Audiência Geral do Papa Francisco esta quarta-feira (09/09), na Praça S. Pedro.
Diante de milhares de fiéis, o Pontífice recordou que a família é o local da nossa iniciação na comunidade, na história da Igreja que caminha com o seu povo. O próprio Jesus aprendeu a história humana percorrendo este caminho.
Quando deixou Nazaré e começou a vida pública, Jesus formou em torno de si uma comunidade, uma “assembleia”, ou seja, uma con-vocação de pessoas. “Este é o significado da palavra ‘igreja’”, explicou o Papa.
Os templos devem estar abertos para acolher a todos
“Nos Evangelhos, a assembleia de Jesus recebe a forma de uma família acolhedora, não de uma seita exclusiva. Jesus não deixa de acolher e falar com todos. É uma lição forte para a Igreja!”, prosseguiu.
Por isso, o Papa considera “indispensável e urgente” reavivar esta aliança entre a família e a comunidade cristã. Para Francisco, uma Igreja realmente segundo o Evangelho só pode ter a forma de uma casa acolhedora, sempre com as portas abertas.
“As Igrejas e as instituições com as portas fechadas não devem se chamar igrejas, mas museus!”, expressou o Papa, que definiu esta aliança “crucial” contra os centros de poder ideológicos, financeiros e políticos. Pelo contrário, as comunidades devem se tornar “centro de amor”, centros evangelizadores repletos de calor humano.
Para isso, é necessário uma fé generosa para reencontrar a inteligência e a coragem de renovar esta aliança. “As famílias às vezes hesitam”, constatou Francisco, dizendo que não estão à altura devido a fraturas, incapacidades, problemas ou desânimo.
“É verdade. Mas ninguém é digno, ninguém está à altura, ninguém tem forças! Sem a graça de Deus, não poderíamos nada. Tudo nos é dado gratuitamente. Se nos colocarmos em suas mãos, Ele nos faz realizar milagres.”
Naturalmente, continuou o Papa, também a comunidade cristã tem que fazer a sua parte. Por exemplo, tentando superar atitudes demasiado funcionais, favorecendo o diálogo interpessoal, o conhecimento e a estima recíproca.
“As famílias têm que tomar a iniciativa e se sentirem responsáveis de oferecer seus preciosos dons à comunidade. A família e a paróquia devem realizar o milagre de uma vida mais comunitária para toda a sociedade.”
Ao saudar os grupos presentes na Praça, o Papa citou os brasileiros provenientes de Santo André e de São Caetano do Sul. (BF)
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Assista à Catequese do Papa:

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                                                                                      Fonte: radiovaticana.va

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Decisão do Papa Francisco:

Processos de nulidade matrimonial serão mais simples e rápidos
Cidade do Vaticano (RV) – Foram anunciadas na manhã de terça-feira (08/09) as principais mudanças decididas pelo Papa em relação aos processos de nulidade matrimonial.
Os dois documentos atendem a anseios de fiéis e bispos
O objetivo do Papa não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a rapidez dos processos: simplificar, evitando que por causa de atrasos no julgamento, o coração dos fiéis que aguardam o esclarecimento sobre seu estado “não seja longamente oprimido pelas trevas da dúvida”.
As alterações constam nos dois documentos ‘Mitis Iudex Dominus Iesus’ (Senhor Jesus, manso juiz) e ‘Mitis et misericors Iesus’ (Jesus, manso e misericordioso), apresentados na Sala de Imprensa da Sé.
A reforma foi elaborada com base nos seguintes critérios: 
1Uma só sentença favorável para a nulidade executiva: não será mais necessária a decisão de dois tribunais. Com a certeza moral do primeiro juiz, o matrimônio será declarado nulo.
2. Juiz único sob a responsabilidade do Bispo: no exercício pastoral da própria ‘autoridade judicial’, o Bispo deverá assegurar que não haja atenuações ou abrandamentos. 
3O próprio Bispo será o juiz: para traduzir na prática o ensinamento do Concílio Vaticano II, de que o Bispo é o juiz em sua Igreja, auspicia-se que ele mesmo ofereça um sinal de conversão nas estruturas eclesiásticas e não delegue à Cúria a função judicial no campo matrimonial. Isto deve valer especialmente nos processos mais breves, em casos de nulidade mais evidentes. 
4Processos mais rápidos: nos casos em que a nulidade do matrimônio for sustentada por argumentos particularmente evidentes. 
5O apelo à Sé Metropolitana: este ofício da província eclesiástica é um sinal distintivo da sinodalidade na Igreja.
6A missão própria das Conferências Episcopais: considerando o afã apostólico de alcançar os fiéis dispersos, elas devem sentir o dever de compartilhar a ‘conversão’ e respeitarem absolutamente o direito dos Bispos de organizar a autoridade judicial na própria Igreja particular. Outro ponto é a gratuidade dos processos, porque “a Igreja, mostrando-se mãe generosa, ligada estritamente à salvação das almas, manifeste o amor gratuito de Cristo, por quem fomos todos salvos”.
7O apelo à Sé Apostólica: será mantido o apelo à Rota Romana, no respeito do antigo princípio jurídico de vínculo entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares.
8Previsões para as Igrejas Orientais: considerando seu peculiar ordenamento eclesial e disciplinar, foram emanadas separadamente as normas para a reforma dos processos matrimoniais no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.
Diante dos jornalistas credenciados, o juiz decano do Tribunal da Rota Romana, Mons. Pio Vito Pinto explicou que os decretos (motu proprio) são resultado do trabalho da comissão especial para a reforma destes processos, nomeada pelo Papa em setembro de 2014.  
Também estavam na coletiva o Cardeal Francesco Coccopalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o arcebispo jesuíta  Luis Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. (CM)
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                  Fonte: radiovaticana.va  (Observação: o negrito dos itens é do blog)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Francisco: 
Laços que não se compram nem vendem são maior dom da família
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa apresentou, na Audiência geral desta quarta-feira (2/9), uma de suas últimas reflexões no contexto das catequeses sobre a família: a evangelização – com ênfase em um aspecto particular.
Família do Senegal participa da Audiência
“Voltemos nosso olhar sobre o modo com o qual a família vive a responsabilidade de comunicar a fé, de transmitir a fé, seja ao interno dela ou ao externo”, destacou Francisco.
Quando Jesus afirma o primado da fé em Deus – recordou o Papa – “não encontra uma comparação mais significativa” para expressar essa vivência “do que a afetividade em família”.
“Estes laços familiares, dentro da experiência de fé e do amor de Deus, são transformados, são ‘preenchidos’ de um sentido maior e são capazes de ir além deles mesmos para criar uma paternidade e uma maternidade mais amplos, e para acolher como irmãos e irmãs também aqueles que estão à margem de qualquer vínculo”, refletiu o Pontífice.
A gramática da família
Neste contexto, o Papa lembrou do trecho do evangelho de Marcos no qual Jesus responde – apontando para seus discípulos – que ali estão sua mãe e seus irmãos, e não do lado de fora.
“A sabedoria dos laços que não se compram e não se vendem é o dom principal da família. Em família, aprendemos a crescer naquela atmosfera dos laços. A ‘gramática’ se aprende no seio da família, caso contrário é bem difícil aprendê-la. É justamente esta a linguagem por meio da qual Deus se faz compreender por todos”, sublinhou Francisco.
"Estilo familiar"
Ao afirmar que a difusão de um “estilo familiar” nas relações humanas é uma benção para os povos por trazer outra vez a esperança para a Terra, o Papa reforçou um convite especial.
“O chamado a colocar os laços familiares no âmbito da obediência da fé a da aliança com o Senhor não os mortifica; ao contrário, os protege, os desvincula do egoísmo, os cuida do degrado, os coloca a salvo para a vida que não morre”.
E acrescentou: “quando os laços familiares se deixam converter ao testemunho do Evangelho, se tornam capazes de coisas impensáveis, que fazem tocar com as mãos as obras que Deus realiza na história, como aquelas que Jesus fez para os homens, as mulheres que as crianças que encontrou”, disse Francisco.
O agir de Deus
Ao recordar o mistério da ação de Deus neste mundo, Francisco enalteceu dois aspectos importantes nos quais os homens se relevam instrumentos de amor.
“Um só sorriso milagrosamente saído do desespero de uma criança abandonada, que recomeça a viver, nos explica o agir de Deus no mundo mais do que mil tratados teológicos. Um só homem e uma só mulher, capazes de arriscar e de se sacrificar pelo filho do outro, e não somente pelo próprio, nos explicam coisas do amor que muitos cientistas não compreendem mais”, arrebatou o Papa.
Protagonismo da família
O Papa então auspiciou que seja restituída à família – a partir da Igreja – o protagonismo de poder responder ao chamado de Jesus e ser maestra do mundo com base na aliança do homem e da mulher com Deus.
“Pensemos ao desenrolar deste testemunho, hoje. Imaginemos que o leme da história (da sociedade, da economia, da política) seja entregue – finalmente! – à aliança do homem e da mulher, para que o governem com o olhar voltado às gerações futuras. Os temas da terra e da casa, da economia e do trabalho, tocariam uma musica muito diferente”, idealizou o Pontífice.
Desertificação da sociedade
Francisco concluiu sua catequese com uma apelo à vida em comunidade ao afirmar que a aliança da família com Deus é chamada hoje a contrastar a desertificação comunitária da cidade moderna.
"As nossas cidades estão desertificadas pela falta de amor, pela falta de sorriso. Tanta diversão, tantas coisas para perder tempo e rir, mas o amor, falta. O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação. Esta é a vitória do amor, da família", improvisou Francisco.
Ao retomar a catequese, o Papa disse: “Nenhuma engenharia econômica e política é capaz de substituir esta contribuição das famílias... Devemos sair das torres e dos quartos blindados das elites para voltar a frequentar as casas e os espaços abertos das multidões”.
E finalizou: “Rezem por mim, rezemos uns pelos outros, para que sejamos capazes de reconhecer e apoiar as visitas de Deus. O Espírito trará uma bagunça saudável às famílias cristãs, e a cidade do homem sairá de sua depressão”.
Apelo pela paz
Ao final da Audiência geral, o Papa fez um apelo pela paz ao recordar que, nestes dias, também o Extremo Oriente recorda o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao renovar suas fervorosas orações ao Senhor para que, por intercessão de Nossa Senhora, o mundo de hoje não precise mais experimentar os horrores e os assustadores sofrimentos de tais tragédias, o Papa reiterou o pedido de seus predecessores: “Guerra nunca mais”. (RB)
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                                                                     Fonte: radiovaticana.va        news.va

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Papa 'candidata' as famílias para o Prêmio Nobel
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa concedeu na manhã desta quarta-feira, 26, a sua centésima audiência geral no Vaticano. A primeira do Pontificado de Francisco foi no dia 27 de março de 2013, duas semanas após a sua eleição. 
Desde 10 de dezembro de 2014, Francisco está desenvolvendo catequeses sobre a Família, que será o tema do próximo Sínodo, em outubro. Neste mês de agosto, já dissertou sobre duas dimensões do ritmo de vida familiar: a festa e o trabalho. Hoje foi a vez do tempo da oração. 
Ouvimos continuamente dizer que “o tempo é pouco; nunca chega para tudo... deveria rezar mais…, gostaria, mas não tenho tempo”, lamentam muitos cristãos, com sinceridade. Quem tem uma família, aprende a resolver uma equação que nem os grandes matemáticos conseguem: dentro das vinte e quatro horas do dia, fazem entrar o dobro. Há pais e mães que merecem o Prêmio Nobel por isso! O segredo está no carinho que têm por seus queridos”. 
O Evangelho é o pão bom que nutre almas e corações
O Papa questionou os fiéis sobre o amor que sentem pelo Senhor: “Conseguimos pensar em Deus como uma carícia que nos dá e mantém a vida, uma carícia da qual nem a morte nos pode separar? Ou pensamos Nele apenas como num grande Ser todo-poderoso, num Juiz que tudo vê e controla nossas atitudes? Quando o afeto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo; mas se o coração for habitado por Deus, até um pensamento sem palavras ou um beijo mandado por uma criança a Jesus se transformam em oração”.
Inserindo este conceito no âmbito da catequese nas famílias, o Pontífice acrescentou que “é belo ver as mães ensinando aos filhos pequenos a mandar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Este é o espírito da oração, que nos leva a encontrar tempo para Deus, fazendo-nos sair da obsessão de uma vida onde sempre falta tempo, para encontrar a paz das coisas necessárias”. 
A este ponto, o Papa citou o episódio narrado no Evangelho de Lucas que fala da visita de Jesus às irmãs Maria e Marta, quando esta aprendeu que oferecer a hospitalidade, apesar de importante, não era tudo. Escutar o Senhor, como fazia Maria, era a coisa realmente essencial, a “parte melhor” do tempo.
“Na oração da família, em seus momentos mais fortes e nas vicissitudes mais difíceis, nos entregamos uns aos outros, para que todos sejamos protegidos pelo amor de Deus”, disse Francisco, concluindo com as seguintes palavras:
“O Evangelho, lido e meditado na Família, é como um pão bom que nutre o coração de todos de manhã até a noite. Quando formos para a mesa, aprendamos a rezar juntos, com simplicidade: é Jesus que vem à nós. Uma coisa que levo no coração e que vi nas cidades: muitas crianças ainda não aprenderam a fazer o sinal da Cruz. Mães, pais, ensinem suas crianças a rezar e a fazer o sinal da Cruz; é um dever muito bonito dos pais!”.
Depois de ser longamente aplaudido por suas palavras e gestos, o Papa saudou os presentes que lotaram a Praça e leitores traduziram sua catequese em várias línguas. Em português, os novos alunos do Colégio Pio Brasileiro de Roma mereceram uma saudação especial. (CM)
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                                                                         Fonte: radiovaticana.va    news.va